Como cuidar

Esta matéria é de 2012 mas vale apena recordar e refletir :- Como nós estamos agindo e o que estamos fazendo diante de tudo isso?
Rosana M Gaeta

#Os oceanos contribuem com a geração de 70% do oxigênio atmosférico. Essa é uma das grandes descobertas do século 20, algo que vínhamos subestimando.#

A oceanógrafa Sylvia Earle é exploradora da National Geographic Societ

Ronaldo Ribeiro e Matthew Shirts - National Geographic Brasil - 10/2012
fonte:
http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/ambiente/oceanografa-ambientalista-americana-sylvia-earle-dama-mares-conservar-agua-709967.shtml



Sylvia Earle: a dama dos mares


Os oceanos têm uma voz. Feminina, sensível e experiente. "É hora de agir. O que fazemos hoje é pouco, um sussurro, não um grito. Os próximos dez anos talvez sejam os mais cruciais dos próximos 10 mil", alerta a oceanógrafa e ambientalista americana Sylvia Earle a respeito da urgência de se criar políticas para a conservação das águas, esgotadas pelas sobrepesca e poluição


Sylvia falou com a revista no Rio de Janeiro, em uma pausa de suas palestras na Rio+20, no restaurante de um hotel na Barra da Tijuca - ao mesmo tempo, circulavam no hall dezenas de chefes de Estado, muitos que, durante a conferência, ouviram claramente o recado de Sylvia. "Os oceanos controlam o modo como funciona o mundo. E estão negligenciando a importância deles no estudo das mudanças climáticas", diz. Ainda assim, ela mantém o otimismo: "Se eu pudesse escolher um momento para nascer, seria hoje, em que nossas ações terão um impacto efetivo no futuro". 

A senhora pode falar um pouco de sua vida e da maneira como vê o mundo hoje?
Como uma mulher de 77 anos, gostaria, antes de mais nada, que todos se dessem conta de que venho de um planeta muito diferente, que tinha, por exemplo, menos CO2 na atmosfera e bem mais peixes nos oceanos. Viviam aqui 2 bilhões de pessoas, em vez dos atuais 7 bilhões. Havia mais árvores. O mundo que vejo hoje é resultado de uma transformação rápida e brutal no ambiente, que coincide com o tempo de minha vida. 

Muito do que fizemos nos trouxe benefícios: a revolução na medicina, a tecnologia das telecomunicações. Ainda assim, estamos em um momento crucial na história, porque, pela primeira vez, somos capazes de nos ver em perspectiva. Nas últimas décadas, aprendemos mais sobre nós mesmos que durante toda a história anterior da humanidade. Quando eu era pequena, não havia a possibilidade de quantificar o CO2. Não sabíamos da existência de cadeias montanhosas nos oceanos, as maiores formações geológicas da Terra. Nem das fontes hidrotermais. Não sabíamos que os continentes se deslocam, e que isso é parte de nosso passado e de nosso futuro, pois esses processos determinam as transformações naturais do planeta. Com o conhecimento, a ciência, nos demos conta de que nós, seres humanos, somos o vetor da mudança, e desencadeamos transformações em âmbito planetário que podem não ser nada benéficas. 

Como surgem os oceanos nesse cenário? 
Todos nós somos donos do alto-mar. É como o ar. É um bem comum, e será bom que permaneça intacto e saudável, pois é a garantia de nossa existência. Os oceanos contribuem com a geração de 70% do oxigênio atmosférico. Essa é uma das grandes descobertas do século 20, algo que vínhamos subestimando. Nada se compara ao plâncton em termos de captura de carbono e geração de oxigênio. Todavia, segundo alguns estudos, desde 1950 houve um declínio de 40% no fitoplâncton oceânico. O mesmo se dá com a redução dos peixes; a tendência de declínio é clara. Não protegemos os sistemas que nos mantêm vivos. O que precisamos é agir antes que seja tarde demais, antes que os tubarões e os atuns desapareçam, antes que os corais tenham se extinguido - no Caribe, 80% deles sumiram desde 1950. Quando a gente olha para os números, fica óbvio de que há algo errado no planeta. E, ao contrário do que muita gente acredita, o tamanho dos oceanos não é suficiente para evitar um colapso. 

Quais seriam as boas políticas para a preservação dos mares? 
Várias ações precisam ser postas em prática. Entre elas, uma rede global de áreas marinhas protegidas. Proteção da biodiversidade em águas internacionais. Pesquisas coordenadas da acidificação dos oceanos e de seus efeitos. Expansão e implementação de acordos institucionais para a proteção do ambiente marinho. E estabelecimento, sempre que viável e por consenso de todos os interessados, dos procedimentos de manejo nas áreas de pesca, com base no respeito aos ecossistemas e aos pescadores artesanais. 


Circula entre alguns conservacionistas a ideia de que, se conseguirmos proteger de modo efetivo 10% dos oceanos, será possível salvar as populações de peixes. É verdade? 
Admitindo-se que o oceano é o coração do planeta, basta transpor a imagem para nosso corpo: alguém consegue viver com 10% do coração? Não funciona assim.


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Novo guia de consumo responsável de pescado põe badejo e cação na lista de sobrepesca
fonte:seafood brasil 26 mar 2015


Santos (SP) recebeu na noite da quarta-feira (25/03) um evento que celebra a reedição do Guia de Consumo Responsável de Pescado, uma iniciativa de estudantes e professores dos cursos de Oceanografia, Ciências Biológicas e de Publicidade e Propaganda da Unimonte. 
A primeira versão foi lançada em 2008 e, assim como nesta época, contou com o apoio do Projeto Pescador Amigo.
Inspirado no guia norte-americano Seafood Watch, o catálogo brasileiro traz uma lista de espécies que correm risco de extinção e aquelas que ainda podem ser pescadas sem trazer riscos ao ecossistema marinho. Para isso, foram criadas três categorias: Bom Apetite (sinal verde), para espécies abundantes, sem problemas de conservação ou cultivadas em cativeiro; Coma com Moderação (sinal amarelo), espécies com declínio na abundância devido à atividade pesqueira; Evite (sinal vermelho), espécies próximas à extinção em virtude do excesso de pesca; e Não, Obrigado! (sinal preto), espécies proibidas para consumo.
O guia tem duas versões, uma dobrável (de bolso) e uma on-line, que pode ser acessada aqui
 “Todos os dias, dezenas de espécies de pescado (peixes, crustáceos e moluscos) são capturadas para a alimentação humana e o comércio global. Em alguns casos, essa pesca acarreta danos ao meio ambiente ou está levando essas espécies à sobrepesca e à extinção. É por isso que a escolha responsável e consciente de quais tipos de pescado devemos consumir, é o primeiro passo que podemos dar no combate a degradação do nosso planeta”, diz o material.

Guia_espécies

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O MAR, POR QUE E COMO CUIDAR?
Por Rosana Magalhães Gaeta

Em maio de 2013 entrevistamos o professor Salvatore Siciliano, pesquisador da Escola Nacional de Saúde Pública/FIOCRUZ e coordenador do Grupo de Estudos de Mamíferos Marinhos da Região dos Lagos (GEMM-Lagos) http://www.gemmlagos.com.br/. O GEMM-Lagos tem como objetivo a pesquisa, programas de educação ambiental, conservação, manejo de espécies marinhas assim como de seus ambientes naturais, oceanos e costas. O grupo de pesquisa aborda o uso dos cetáceos e aves marinhas como sentinelas do ecossistema marinho e manutenção da saúde publica


http://www.gemmlagos.com.br/

O Grupo de Estudos de Mamíferos Marinhos da Região dos Lagos (GEMM-Lagos) atuam com diversas parcerias e assim também surgiu o projeto

"Toninha cadê você"



http://www.gemmlagos.com.br/
 


Rosana:- Qual a relação do mar em nossas vidas?


Foto " Mar por Rosana Gaeta"-Cananéia
Prof. Salvatore:- O mar participa de nossas vidas de muitas maneiras.
Se pensarmos no ciclo das marés, a vida de muitos brasileiros depende de seu efeito como por exemplo os catadores de ostras, mariscos e caranguejos. Mas podemos ir além da costa visto que as correntes marinhas regulam o clima e a temperatura dos continentes. As correntes de água e de ar trazem parte da umidade necessária a formação das nuvens, ou seja, da chuva. Por outro lado, os desertos naturais estão associados as correntes de água fria.


 Rosana: - Qual a importância dos oceanos na produção de oxigênio?

Prof. Salvatore:- Esta produção depende de fato muito dos oceanos. Eles são o pulmão do mundo. Os fito fitoplâncton, organismos microscópicos, existem em quantidade imensurável nos oceanos, eles são o escoadouro do carbono absorvendo-o e com isto liberando o oxigênio.
O famoso efeito estufa é consequência da acumulação do gás carbônico na atmosfera.
Os homens com o uso do combustível fóssil, adicionam carbono na atmosfera.
A Terra se preparou para tirar o carbono, e nós estamos com isto estamos fazendo o contrário. 
O mar faz este papel de retirar este gás mas não sozinho, junto com as florestas.

 
foto Rosana Gaeta -Ubatuba SP


Rosana:- A toninha, é considerada o nosso menor golfinho e com risco de extinção, por que?

fonte  http://www.gemmlagos.com.br/2013/06/uma-toninha-e-encontrada-morta-no.html

Prof. Salvatore: - A distribuição geográfica é relativamente pequena, ela só existe do Espírito Santo até ao norte da Argentina. Além disto, ela vive em uma área restrita, somente numa faixa costeira muito estreita, desde a linha da praia até 3 a 4 milhas náuticas da costa. Isso corresponde a  uma área geográfica muito pequena.
Ela também sofre o efeito deletério danoso, em toda a região que vive: as capturas acidentais em redes de pesca. O alvo é o peixe de valor comercial, e a toninha fica presa na rede e morre afogada.



No Rio Grande do Sul, 1000 toninhas por ano morrem em rede de pesca, o que é insustentável para a espécie.                                          



Fonte:Fotos da página http://www.ensp.fiocruz.br/toninha

Outro fator de impacto é a degradação costeira pela poluição, portos, industrias com as descargas nos rios e tendo como desagues final o mar.

Assim todas as espécies de vida costeira sofrem um impacto maior.





Fonte:http://www.ensp.fiocruz.br/toninha/

                        

Hoje no RJ onde há planejado seis portos, imagine o impacto disto! É extremamente negativo! Além de dois complexos petrolíferos. A perturbação sonora leva as toninhas a abandonarem sua área de sobrevivência, pois elas dependem da comunicação que fica comprometida pelos ruídos.
No Brasil, noventa por cento do petróleo e do gás são extraídos do mar, toda ação que fizermos para reduzir sua demanda beneficiará a toninha.
Como: -Andar mais de bicicleta, usar menos embalagens plásticas e, aprendermos a termos estruturas marítimas que causem menos danos ao meio ambiente como exemplo o que acontece na Noruega, um importante produtor de petróleo.



Rosana:- Os agrotóxicos também trazem malefícios para o mar e por tanto para a toninha também?

Prof. Salvatore:- Os alimentos orgânicos estão voltando com grande força, como na Itália, na época de meus antepassados, eles sabiam que tinham de fazer adubo orgânico para aproveitar melhor os recursos da terra.
Hoje parte dos fertilizantes e insumos agrícolas tem como base a petroquímica.
Nos tecidos das toninhas encontramos estas substâncias.
A produção de alimentos orgânicos poderá reduzir grandemente a demanda na produção e petroquímicos.





Agradecemos a valiosa oportunidade que o professor Salvatore propiciou-nos concedendo por telefone esta entrevista e podermos compartilhá-la com os leitores! E também agradecemos todo o apoio que ele e sua equipe tem nos oferecido no desenvolvimento do projeto "O boto boliviano e a toninha no Brasil" hoje ampliado para o projeto “Mar e cidade –Unidos pela Segurança Alimentar em prol das Toninhas”





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O MAR, PORQUE E COMO CUIDAR

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Por Rosana Gaeta e Patrizia Gasperini
(projeto Botos boliviano e a Toninha no Brasil)

Em janeiro de  2013, estivemos visitando o Projeto Toninhas da UNIVILLE, em São Francisco do Sul - Santa Catarina no Brasil. Fomos recebidos pela Beatriz Schulze Bióloga do Projeto Toninhas, a qual nos mostrou todo o espaço educativo e nos explicou  ações  do projeto http://www.projetotoninhas.org.br/


Projeto Toninhas da UNIVILLE, em São Francisco do Sul-foto Daniella M.G. Ruiz
(Rosana Gaeta,  Patrizia Gasperini e Beatriz  Schulze )

 
Um orgulho enorme ter conhecido um pouco do magnífico  trabalho em rede interinstitucional que eles desenvolvem. Realmente vale a pena conhecer , compartilhar, e cooperar!!
Beatriz nos concedeu uma entrevista, que irá abrir esta nova página deste blog.
                                                                                       
                                                                             
  Baia de Babitonga- São Francisco do Sul. Foto Rosana Gaeta     



 Rosana:- Qual a relação do mar nas nossas vidas? 

Beatriz:- O mar, além de ser uma importante fonte de alimento e recursos biológicos, é também uma via importante de transporte, principalmente internacional. É do subsolo marinho que é extraído a maior parte do petróleo brasileiro, além de outros inúmeros minerais e matérias primas.




Rosana: – O que significa para as nossas vidas, a extinção de uma espécie marinha?

Beatriz:- Cada espécie ocupa um lugar no ambiente e assim, na cadeiatrófica, e esta tudo dentro de um equilíbrio, a extinção de uma espécie, que significa a retirada de um componente desta cadeia, leva a um desequilíbrio afetando as nossas vidas. A toninha uma das menores espécies de golfinho do mundo, e a única ameaçada de extinção no Brasil, é um predador de topo de cadeia, atuando na manutenção dos estoques pesqueiros das espécies que ela se alimenta. 

                          Projeto Toninhas UNIVILLE São Francisco do Sul. Foto  Rosana Gaeta                                   

Rosana:- Como um cidadão, que mora longe da praia pode cooperar na defesa das Toninhas?

Fotos Pôr do Sol em São Francisco do Sul- foto Daniella M. G> Ruiz

    Beatriz: - Pode cobrar das autoridades medidas efetivas para a defesa da vida marinha e das toninhas, como saneamento básico, medidas contra as capturas acidentais na pesca, ações para evitar a perda do habitat provocada pela poluição e a ocupação irregular das margens costeiras.
 Indiretamente temos muito que fazer como reciclar o lixo, o óleo, economizar água e energia, atitudes normais do dia a dia.

            Equipe do Projeto Toninha em especial a BEATRIZ  nosso MUITO OBRIGADA!!!
  
Beatriz Schulze do  Projeto Toninhas UNIVILLE São Francisco do Sul- -foto Rosana Gaeta







     

                   
 

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